COMUNICAÇÃO PARAVERBAL: A VOZ É TÃO IMPORTANTE QUANTO A MENSAGEM
Quando criamos uma estratégia de comunicação corporativa, dedicamos muito tempo a escolher as palavras certas. Revemos os títulos, aperfeiçoamos as mensagens-chave e pensamos em como explicar uma ideia para que chegue de forma clara aos jornalistas, clientes ou colaboradores. No entanto, quando chega o momento de comunicar essa mensagem em voz alta, entra em jogo outro fator muito importante: a comunicação paraverbal. O tom, o ritmo, o volume ou mesmo os silêncios podem alterar completamente a perceção das mesmas palavras. A forma como algo é dito pode ser tão importante, ou até mais, do que o que é dito. Para começar, o que é a comunicação paraverbal? A comunicação paraverbal abrange todos os elementos da voz que acompanham a linguagem verbal. Não se refere às palavras nem aos gestos, que fariam parte da comunicação verbal e não verbal, respetivamente, mas sim à forma como utilizamos a voz. Entre os seus principais elementos, encontram-se: Uma mesma frase pode gerar confiança, indiferença ou até mesmo rejeição, dependendo destes fatores. Por que é que isto é importante na comunicação corporativa? Uma entrevista na televisão, uma conversa com um jornalista, uma apresentação de resultados ou a intervenção de um CEO num evento são situações em que a mensagem escrita é apenas uma parte da comunicação. Imaginemos um porta-voz a anunciar bons resultados empresariais com um tom excessivamente baixo, um ritmo acelerado e quase sem variações na voz. Os dados continuam a ser positivos, mas provavelmente a sua intervenção transmitirá menos segurança e entusiasmo do que a empresa pretende projetar. O contrário também acontece. Uma boa comunicação paraverbal pode tornar uma mensagem complexa mais acessível, ajudar a transmitir calma durante uma situação de crise ou fazer com que uma apresentação corporativa estabeleça uma melhor ligação com o seu público. Isto assume ainda mais importância neste momento em que as empresas procuram humanizar a sua comunicação. O público espera pessoas capazes de explicar um discurso corporativo de forma natural e credível. O papel das agências de comunicação Nós, agências de comunicação, podemos trabalhar a comunicação paraverbal como parte da preparação dos porta-vozes. Não se trata apenas de entregar um documento com mensagens-chave e possíveis perguntas; também é importante praticar como transmiti-las. As formações para os meios de comunicação, as simulações de entrevistas ou os ensaios antes de uma apresentação permitem detetar aspetos que muitas vezes passam despercebidos. Falar demasiado depressa por nervosismo, utilizar um tom monótono, não fazer pausas ou elevar excessivamente a voz são hábitos que podem ser corrigidos com preparação. Além disso, cada situação requer uma forma diferente de comunicar. Uma entrevista sobre inovação não exige o mesmo tom que uma intervenção durante uma crise de reputação. A agência pode ajudar o porta-voz a adaptar a sua forma de se expressar ao contexto, ao canal e ao público, sem perder a naturalidade. A comunicação corporativa mais eficaz, para além de encontrar as mensagens adequadas, consiste em fazer com que essas mensagens sejam credíveis e humanas quando chegam ao seu destinatário. Trabalhar a comunicação paraverbal permite alinhar as palavras com a intenção que existe por trás delas. Atualmente, a confiança e a autenticidade têm cada vez mais peso na reputação das organizações e cuidar da forma como uma mensagem soa pode ser tão importante quanto decidir o que queremos dizer.



















